É comum ouvir que franquia de farmácia oferece mais segurança do que abrir uma farmácia totalmente do zero, mas será que isso é verdade?
Dados do setor mostram que franquia de farmácia tende a apresentar melhores índices de desempenho e menores taxas de mortalidade, principalmente por contarem com modelos de gestão testados, suporte contínuo da franqueadora e uma marca já conhecida no mercado.
Porém, é importante reforçar: nenhum modelo de negócio é isento de riscos. Optar por uma franquia de farmácia não garante sucesso automático.
Ainda que o formato seja padronizado, muitos fatores influenciam nos resultados:
- gestão local,
- ponto comercial,
- concorrência direta,
- capital de giro e,
- capacidade de execução do franqueado.
Antes de investir em franquia de farmácia, é fundamental entender as fragilidades que também existem nesse modelo.
A seguir, listamos os principais problemas enfrentados por franquia de farmácia atualmente e que podem impactar diretamente no sucesso do negócio.
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O que você quer ler primeiro?
Franquia de Farmácia no Brasil
De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de franquias faturou mais de R$ 270 bilhões em 2024.
Esse cenário mostra que o setor de franquias, apesar de robusto e em plena expansão, também enfrenta desafios importantes.
O faturamento expressivo, reforça o potencial de crescimento e a atratividade desse modelo de negócio.
Porém, o aumento no número de unidades fechadas, 6,4% acima de 2023, que já havia registrado alta de 5,9% no fechamento de lojas evidencia que não basta apenas aderir a uma rede para garantir sucesso.
Questões como gestão financeira, escolha da localização, perfil do franqueado, acompanhamento próximo da franqueadora e adaptação às mudanças do mercado têm papel crucial na longevidade da operação.
Em outras palavras, o crescimento do setor vem acompanhado de maior competitividade e de um alerta para que empreendedores invistam em planejamento estratégico e capacitação contínua para quem deseja abrir uma franquia de farmácia.
Abaixo listamos algumas das franquias de farmácias no Brasil, segundo o Portal do Franchising:
- A Fórmula (Investimento total: R$ 560.000 a R$ 710.000);
- Droga Raia (não informado);
- Drogaria Santa Marta (Investimento total: R$ 500.000);
- Drogarias Ótima Farma (Investimento total: R$ 176.000 a R$ 800.000);
- Drogasil (não informado);
- Farma & Farma (Investimento total: R$ 464.950 a R$ 749.950);
- Farma Conde (Investimento total: R$ 260.000 a R$ 700.000);
- Farmácia Artesanal (Investimento total: R$ 190.000 a R$ 901.000);
- Farmácia de Manipulação Ultrafarma (Investimento total: R$ 600.000 a R$ 700.000);
- Farmácia Farmais (Investimento total: R$ 80.000 mil a R$ 490.000 mil);
- Farmácia FPP (Investimento total: A partir de R$ 70.000);
- Farmácia Pague Menos (não informado);
- Farmácias Brasil Poupa Lar (Investimento total: R$ 394.500 a R$ 590.500);
- Farmatotal (Investimento total: R$ 385.000 a R$ 595.000);
- Farmelhor (Investimento total: R$ 455.000 a R$ 555.000);
- Pharmapele (Investimento total: R$ 180.000 a R$ 950.000);
Principais desafios da franquia de farmácia
Entender a essência da franquia de farmácia
Ao entrar no universo das franquias, o primeiro passo é compreender que esse modelo de negócio é sinônimo de padrões, processos e regras bem definidos.
Tudo na franquia de farmácia é pensado para ser replicado com segurança: da identidade visual ao atendimento, passando por produtos, marketing e até a forma de operar o caixa.
Isso significa que o franqueado não tem liberdade total para criar ou modificar o modelo como quiser.
O processo já foi testado, validado e ajustado pela franqueadora e cabe ao franqueado seguir essas diretrizes à risca. É justamente essa padronização que dá força à marca e aumenta as chances de sucesso.
É claro que sugestões de melhoria são bem-vindas e podem surgir da experiência prática na ponta, mas qualquer mudança precisa ser aprovada pela franqueadora.
Respeitar o modelo não é uma limitação, é uma garantia de que todos os pontos da rede remam na mesma direção.
O papel das partes: franqueadora x franqueado
Um dos motivos mais recorrentes de desgaste entre franqueadores e franqueados está na falta de clareza sobre as responsabilidades de cada lado.
Muitas vezes, o franqueado espera um tipo de apoio que não está previsto no modelo de negócio, enquanto a franqueadora acredita que o franqueado deveria tomar a frente de determinadas ações operacionais.
Essa confusão de papéis gera frustrações e pode comprometer o desempenho da unidade e da rede como um todo.
É importante entender que cabe à franqueadora: definir as estratégias da marca, orientar a operação, fornecer suporte inicial, manter a padronização da rede e atualizar regras.
Cabe ao franqueado: executar com excelência o plano de negócios, cuidar da operação diária da loja, da equipe, dos resultados e da entrega final ao cliente.
Ou seja, a franqueadora cuida da estratégia e o franqueado da execução.
Quando cada parte entende claramente o seu papel e atua com responsabilidade, o relacionamento flui melhor e os resultados aparecem com mais consistência.
A entrega da promessa da marca: responsabilidade do franqueado
Quando um cliente entra em uma farmácia franqueada, ele espera viver exatamente a experiência que a marca promete, seja no atendimento, na qualidade do produto, na agilidade do serviço ou na ambientação da loja.
Isso não é apenas um detalhe: é o que define a credibilidade da marca e influencia diretamente a decisão de compra.
E é justamente nesse ponto que entra um dos papéis mais importantes do franqueado: fazer essa promessa virar realidade no dia a dia da operação.
Mesmo com todo o suporte e regras da franqueadora, é o franqueado quem está na linha de frente. É ele quem:
- Gerencia a equipe;
- Garante o bom atendimento;
- Cuida do estoque;
- Mantém a loja organizada;
- Resolve problemas rapidamente.
Ou seja, a experiência real do cliente depende da execução local na franquia de farmácia.
Franqueados que entendem isso e se dedicam a entregar excelência no ponto de venda conseguem fidelizar clientes, gerar boas avaliações e fortalecer a reputação da rede como um todo.
Por outro lado, quando a entrega não corresponde ao que a marca promete, o impacto é negativo para toda a rede, não apenas para aquela unidade da franquia de farmácia.
Atuar como gestor do negócio, e não apenas como franqueado
Um dos maiores desafios para quem entra no mundo da franquia de farmácia é deixar de lado o papel apenas operacional e assumir, de fato, a postura de empresário.
E isso vale inclusive (e principalmente) para franqueados. Não basta apenas seguir os padrões da franqueadora, é preciso gestão ativa e estratégica no dia a dia do negócio.
Isso significa atuar com foco em três pilares essenciais:
- Finanças: entender os números da operação, controlar custos, analisar margem de lucro e fazer projeções;
- Pessoas: contratar, treinar e liderar a equipe, garantindo um bom clima de trabalho e produtividade;
- Marketing e vendas: mesmo com apoio da franqueadora, cabe ao franqueado ativar ações locais, divulgar a loja e atrair clientes.
Franquia de farmácia não é “fórmula mágica”. O modelo de negócio pode ser sólido, a marca pode ser forte, mas sem gestão profissional e envolvimento real do franqueado, os resultados não aparecem.
Assumir esse papel de gestor é o que diferencia um franqueado que simplesmente “toca a operação” de um empresário que faz o negócio crescer e prosperar com consistência.
Altos custos: um risco silencioso para a rentabilidade
Ao investir em uma franquia de farmácia, muitos empreendedores subestimam o impacto dos custos fixos e variáveis na saúde financeira do negócio.
Questões como aluguéis elevados, reajustes contratuais, folha de pagamento, taxas de franquia, royalties e investimento inicial podem comprometer significativamente a margem de lucro, especialmente nos primeiros anos de operação.
Além disso, o cenário atual traz um agravante: os custos operacionais, em geral, têm aumentado, enquanto as margens do varejo e de serviços estão cada vez mais apertadas.
Alguns dos principais vilões que afetam diretamente a lucratividade de uma franquia de farmácia são:
- Aluguel de ponto comercial em áreas com alto fluxo (e alto valor por metro quadrado);
- Custos com energia, segurança e manutenção;
- Reposição de estoque e perda de produtos;
- Acordos comerciais com fornecedores que nem sempre permitem flexibilidade;
- Taxas fixas da franquia, como royalties e fundo de marketing.
Por isso, é fundamental que o franqueado atue com um olhar rigoroso sobre a gestão de custos. Pequenos desvios no controle financeiro podem consumir os lucros do mês.
Sem um bom planejamento e acompanhamento, até mesmo franquias com bom faturamento podem ter dificuldades para se manter viáveis.
Rotatividade de mão de obra: um desafio constante no varejo
A alta rotatividade de funcionários é um dos maiores gargalos do varejo farmacêutico, e na franquia de farmácia, isso não é diferente.
Encontrar, treinar e manter uma equipe qualificada e engajada tem se tornado cada vez mais desafiador.
Para o franqueado, esse é um problema que impacta diretamente a qualidade do atendimento, a padronização da operação e os custos operacionais.
Funcionários novos exigem tempo de adaptação, investimento em capacitação e, até que estejam prontos, podem comprometer a experiência do cliente e a eficiência do negócio.
Além disso, manter o time motivado e alinhado com os valores da marca é uma missão contínua. Os colaboradores precisam:
- Entender o propósito da rede;
- Seguir os padrões de atendimento;
- Trabalhar com empatia e foco no cliente;
- Sentir-se valorizados e reconhecidos.
A ausência de um plano de desenvolvimento, lideranças fracas e rotinas estressantes são fatores que elevam a rotatividade de colaboradores da franquia de farmácia.
Por isso, o franqueado precisa se posicionar como líder da equipe, cultivando um ambiente de trabalho saudável e promovendo ações que incentivem a permanência e o crescimento do time.
Lembre-se: colaborador bom não fica onde não se sente bem, e colaborador ruim custa caro demais para o seu negócio.
Concorrência mais preparada, consumidor mais exigente
Hoje, o consumidor tem mais opções do que nunca. Ele pode escolher entre comprar em lojas físicas, apps de entrega, e-commerces, marketplaces e até diretamente dos fabricantes.
E mais: ele pesquisa, compara preços, lê avaliações, assiste vídeos no YouTube e já chega ao ponto de venda com uma decisão praticamente formada.
Nesse cenário, não basta abrir uma franquia de farmácia de marca conhecida e esperar o cliente entrar. É preciso se destacar, e muito. A concorrência está mais preparada, oferecendo:
- Experiências personalizadas;
- Atendimento rápido (e humanizado);
- Programas de fidelidade;
- Canais digitais eficientes;
- Preços competitivos.
O franqueado que não acompanhar essa evolução corre o risco de perder espaço, mesmo dentro de uma rede consolidada.
Isso exige do empresário da franquia de farmácia:
- Mais preparo para entender o perfil do novo consumidor;
- Investimento em excelência de atendimento;
- Presença estratégica nos canais digitais;
- Ações promocionais criativas e relevantes;
- Capacidade de adaptar a operação à realidade local.
Franquia de sucesso é aquela que não se acomoda no nome da marca, mas trabalha todos os dias para oferecer uma experiência melhor do que o cliente encontra por aí, no físico ou no digital.
Conclusão
Como você notou abrir uma franquia de farmácia não garante o sucesso do negócio, mesmo com processos padronizados e regras bem definidas de gestão por parte da franqueadora, é preciso que o gestor atue constantemente no negócio.
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